A uma ausência
Sinto-me sem sentir, todo abrasado.
No rigoroso fogo que me alenta.
O mal que me consome, me sustenta.
O bem que me entretém me dá cuidado.
Ando sem me mover.
Falo calado.
O que mais perto vejo se me ausenta.
E o que estou sem ver mais me atormenta.
Alegro-me de ver-me atormentado.
Choro no mesmo ponto em que me rio.
No maior risco me anima a confiança.
Do que menos se espera estou mais certo.
mas se confiado desconfio.
É por que entre os receios da mudança,
ando perdido em mim como em deserto.
In Hernâni